Chumbo (Pb) e água

Chumbo na água: fontes, efeitos na saúde e controlo

O chumbo na água da torneira provém geralmente da corrosão de ramais de ligação, tubagens, soldas ou acessórios de canalização que contêm chumbo. A quantidade pode variar em função da química da água e do tempo durante o qual a água permaneceu estagnada na canalização, pelo que é importante analisar a água na torneira.

Como entra o chumbo na água?

Raramente o chumbo presente na água da torneira resulta da dissolução de materiais de origem natural. Na maioria dos casos, entra na água quando a água corrosiva entra em contacto com ramais de ligação de chumbo, tubagens antigas de chumbo, soldas, acessórios de latão ou outros componentes que contêm chumbo. Também pode chegar às águas superficiais e subterrâneas através da atividade mineira, do processamento de metais, do fabrico ou da reciclagem de baterias e de solos ou poeiras contaminados.

O chumbo não tem uma solubilidade única e fixa na água. Pode estar presente sob a forma de iões ou complexos dissolvidos, ou de partículas libertadas das camadas de produtos de corrosão. A quantidade libertada depende de fatores como o pH, a alcalinidade, o carbono inorgânico dissolvido, a dureza, os cloretos, a temperatura, o tempo de contacto e o estado dos depósitos nas tubagens. Alterações na água de origem ou no tratamento podem modificar a libertação de chumbo, pelo que o desempenho deve ser monitorizado no sistema de distribuição.

Comportamento no ambiente

O chumbo pode ligar-se a partículas em suspensão e acumular-se nos sedimentos e nos solos. A sua mobilidade e biodisponibilidade variam com o pH, as superfícies minerais, a matéria orgânica e outras condições químicas da água. A poluição por chumbo pode resultar de emissões industriais, da atividade mineira e da meteorização de materiais contaminados, mas o chumbo encontrado na água da torneira das habitações está geralmente associado às canalizações e aos ramais de ligação.

Efeitos na saúde

O chumbo é tóxico e não se conhece nenhum nível de exposição isento de riscos para a saúde. A exposição pode afetar vários sistemas do organismo. O sistema nervoso em desenvolvimento é especialmente sensível, pelo que os fetos, os lactentes e as crianças são particularmente vulneráveis. A exposição ao chumbo está associada a efeitos no desenvolvimento cerebral e na aprendizagem das crianças; nos adultos, está também associada a efeitos como o aumento da pressão arterial e a diminuição da função renal. O chumbo na água potável é uma possível fonte de exposição, a par dos alimentos, das poeiras e de outras fontes.

Como o chumbo pode entrar na água no interior de um edifício ou num ramal de ligação, uma amostra de água recolhida na estação de tratamento não indica a concentração em cada torneira. Os níveis de chumbo também podem variar entre amostras, dependendo do tempo de estagnação e do procedimento de amostragem.

Valores de referência e valores regulamentares para a água potável

Os valores diferem consoante a jurisdição e não representam uma fronteira entre uma exposição segura e uma exposição insegura. O valor de referência provisório da OMS é de 10 µg/L; baseia-se no desempenho do tratamento e na capacidade de medição analítica, e não num limiar baseado na saúde, e a OMS recomenda manter as concentrações tão baixas quanto seja razoavelmente viável na prática. A Diretiva da UE relativa à água potável estabelece um valor paramétrico de 10 µg/L até 12 de janeiro de 2036 e, posteriormente, de 5 µg/L. A concentração máxima aceitável estabelecida pelo Ministério da Saúde do Canadá (Health Canada) é de 5 µg/L na torneira. Nos Estados Unidos, a atual regulamentação sobre chumbo e cobre (Lead and Copper Rule) utiliza um limiar de ação de 15 µg/L, baseado na amostragem em torneiras em todo o sistema; as melhorias desta regulamentação (Lead and Copper Rule Improvements) estabelecem um limiar de ação revisto de 10 µg/L quando começar a ser exigido o seu cumprimento. Um limiar de ação desencadeia medidas no sistema, não sendo uma concentração segura para uma torneira individual.

Como se pode reduzir o chumbo na água?

A resposta adequada depende do local onde o chumbo entra na água e de estar dissolvido ou ligado a partículas. A amostragem deve seguir o protocolo local aplicável e as amostras devem ser analisadas por um laboratório qualificado. Nos sistemas públicos de abastecimento de água, o controlo da corrosão é concebido em função da água de origem e do sistema de distribuição; o pH, a alcalinidade e a utilização de inibidores exigem avaliação e monitorização específicas para cada sistema.

  • Eliminar as fontes de chumbo: a substituição dos ramais de ligação de chumbo e dos componentes das canalizações que contêm chumbo é a principal forma de evitar, a longo prazo, a entrada de chumbo na água nesses locais.
  • Controlar a corrosão: as entidades gestoras dos serviços de abastecimento de água podem ajustar a química da água ou utilizar tratamentos de controlo da corrosão para reduzir a libertação de chumbo. Os resultados dependem dos materiais das canalizações e da química da água e devem ser confirmados através da monitorização na torneira.
  • Utilizar tratamento certificado no ponto de utilização como medida provisória: alguns filtros e dispositivos de osmose inversa são certificados para reduzir o chumbo. Escolha um dispositivo especificamente certificado para a redução do chumbo segundo a norma relevante, instale-o de acordo com as instruções e efetue a manutenção ou substitua os cartuchos nos intervalos previstos. Não se deve presumir que um filtro genérico de carvão ou de sedimentos remove o chumbo.
  • Tratar o chumbo na água de origem, quando aplicável: a coagulação, a decantação e a filtração podem remover o chumbo associado a partículas em processos de tratamento adequadamente concebidos. Estes processos não substituem o controlo da corrosão quando o chumbo é libertado pelas canalizações a jusante.

A Lenntech disponibiliza mais informações sobre coagulação e floculação, filtração com areia e antracite, carvão ativado e osmose inversa.

Fontes e leituras complementares

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